sexta-feira, 1 de agosto de 2008

É preciso ser Feliz!!!

• Existem Pedras..
≈Não Desista de Andar

• Existem Barreiras...
≈Não Desista de Passar

• Existe os nós...
Ń Preciso Desatar

• Existe o desânimo
≈É a pior coisa que há

• A estrada é longa...
≈Não desista de chegar

• Existe o cansaço...
Ń Preciso caminhar

• Existe a derrota...
≈Você nasceu para ganhar

• Existe o desamor
Ń Fundamental amar

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Cassia Eller ( O amor me pegou )


Gatas Extraordinárias
(Caetano Veloso)

O amor me pegou
E eu não descanso enquanto não pegar
Aquela criatura
Saio na noite à procura
O batidão do meu coração na pista escura
Se pego, ui me entrego e fui
Será que ela quererá, será que ela quer
Será que meu sonho influi
Será que meu plano é bom
Será que é no tom
Será que ele se conclui
E as gatas extraordinárias que
Andam nos meios onde ela flui
Será que ela evolui
Será que ela evolui
E se ela evoluir, será que isso me inclui
Tenho que pegar, tenho que pegar
Tenho que pegar essa criatura
Tenho que pegar, tenho que pegar
Tenho que pegar

terça-feira, 22 de julho de 2008

Paz nunca Mais - Frejat

Nunca mais ele teve paz quando viu aquela moça
Imagem viva, perfeita, já feita
Nunca mais ele teve paz quando viu aquela moça
Imagem viva, perfeita, já feita

O seu corpo era o pão que a mão de Deus amassou
Uma criação divina, um anjo que vingou
Todo desejo ao seu dispor
Personificação do amor

Nunca mais ele teve paz quando viu aquela moça
Imagem viva, perfeita, já feita
Nunca mais ele teve paz quando viu aquela moça
Imagem viva, perfeita, já feita

O seu corpo era o nirvana, onde morava o prazer
Lar de tantas fantasias, das teimosias de ter
Desfrutar do que não vê
Do céu da boca ao ponto G

Nunca mais ele teve paz quando viu aquela moça
Imagem viva, perfeita, já feita
Nunca mais ele teve paz quando viu aquela moça
Imagem viva, perfeita, já feita

Por favor compositor eu sou apenas o cantor
Mas....
Devo interferir na trama
Interceder por quem ama
Você pode dar a ele o destino que quiser
Mas prometa que no fim ele fica com a mulher

Nunca mais ele teve paz quando viu aquela moça
Imagem viva, perfeita, já feita
Nunca mais ele teve paz quando viu aquela moça
Imagem viva, perfeita, já feita

quarta-feira, 16 de julho de 2008

<=°;°=>

DETONAUTAS ROQUE CLUBE
Você Me Faz Tão Bem
(Tico Santa Cruz)





Quando eu me perco é quando eu te encontro
Quando eu me solto seus olhos me vêem
Quando eu me iludo é quando eu te esqueço
Quando eu te tenho eu me sinto tão bem

Você me fez sentir de novo o que eu
Já não me importava mais
Você me faz tão bem
Você me faz, você me faz tão bem

Quando eu te invado de silêncio
Você conforta a minha dor com atenção
E quando eu durmo no seu colo
Você me faz sentir de novo
O que eu já não sentia mais

Você me faz tão bem
Você me faz, você me faz tão bem
Você me faz, você me faz tão bem
Você me faz, você me faz tão bem

Não tenha medo
Não tenha medo desse amor
Não faz sentido
Não faz sentido não mudar
Esse amor

Você me faz, você me faz tão bem
Você me faz, você me faz tão bem
Você me faz, você me faz tão bem
Você me faz, você me faz tão bem

sábado, 28 de junho de 2008

Assim Caminha a Humanidade - Lulu Santos


Ainda vai levar um tempo
Pra fechar o que feriu por dentro
Natural que seja assim
Tanto pra você quanto pra mim

Ainda leva uma cara
Pra gente poder dar risada
Assim caminha a humanidade
Com passos de formiga e sem vontade

Não vou dizer que foi ruim
Também não foi tão bom assim
Não imagine que te quero mal
Apenas não te quero mais

Não te quero mais
Não mais
Nunca mais

Raul Seixas - Ouro de tolo


Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar um Corcel 73

Eu devia estar alegre e satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa

Ah! Eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa

Eu devia estar contente
Por ter conseguido tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto: E daí?
Eu tenho uma porção de coisas grandes
Pra conquistar, e eu não posso ficar aí parado

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Pra ir com a família ao Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos

Ah! Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco praia, carro, jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco

É você olhar no espelho
Se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
Que só usa dez por cento de sua
Cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está constribuindo com sua parte
Para nosso belo quadro social

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarda cheia de dentes
Esperando a morte chegar

Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada cheia de dentes
Esperando a morte chegar

Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador

Geraldo Vandré - Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores


Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam antigas lições
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

At Last - Etta James


At last my love has come along
My lonely days are over
And life is like a song

Ohh yeah yeah
At last
the skies above are blue
My heart was wrapped up in clover
The night I looked at you

I found a dream, that I could speak to
A dream that I can call my own
I found a thrill to press my cheek to
A thrill that I have never known

Ohh yeah yeah...
You smile, you smile
oh And then the spell was cast
And here we are in heaven
For you are mine at last

Até que enfim
Meu amor chegou
Meus dias solitários acabaram
E a vida é como uma canção

Até que enfim
O céu está azul
Meu coração está coberto de tranquilidade
Na noite em que eu olhei pra você
eu encontrei um sonho
Um sonho que posso chamar de meu
Eu achei um prazer apertar minha bochecha
um prazer que eu nunca havia conhecido

Você sorriu
Você sorriu
E assim o encanto foi lançado
E aqui estamos no céu
Porque você é meu enfim

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Nua - Ana Carolina


Olho a cidade ao redor
E nada me interessa
Eu finjo ter calma
A solidão me apressa

Tantos caminhos sem fim
De onde você não vem
Meu coração na curva
Batendo a mais de cem

Eu vou sair nessas horas de confusão
Gritando seu nome entre os carros que vêm e vão
Quem sabe então assim
Você repara em mim

Corro de te esperar
De nunca te esquecer
As estrelas me encontram
Antes de anoitecer

Olho a cidade ao redor
Eu nunca volto atrás
Já não escondo a pressa
Já me escondi demais

Eu vou contar pra todo mundo
Eu vou pichar sua rua
Vou bater na sua porta de noite
Completamente nua
Quem sabe então assim
Você repara em mim

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Perigosa - As Frenéticas



Eu sei que eu sou bonita e gostosa
E sei que você me olha e me quer
Eu sou uma fera de pele macia
Cuidado, garoto, eu sou perigosa

Eu tenho um veneno no doce da boca
Eu tenho um demônio guardado no peito
Eu tenho uma faca no brilho dos olhos
Eu tenho uma louca, dentro de mim

Eu sei que eu sou bonita e gostosa
E sei que você me olha e me quer
Eu sou uma fera de pele macia
Cuidado, garoto, eu sou perigosa

Eu posso te dar, um pouco de fogo
Eu posso prender, você meu escravo
Eu faço você feliz e sem medo
Eu vou fazer você ficar louco
Muito louco, muito louco
Dentro de mim
(Rita Lee / Roberto De Carvalho / Nelson Motta)

domingo, 22 de junho de 2008

Carinhoso - João Gilberto


Meu coração não sei por que
Bate feliz Quando te vê.........
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo..
Mais mesmo assim..foges de mim...

Meu coração não sei porque
Bate feliz Quando te vê.........
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo..
Mais mesmo assim..foges de mim...

Ah se tu soubesses como eu sou
Tão carinhoso e muito..muito
Que te quero....E como é sincero
Meu amor...Eu sei que tu não
Fugirias..Mais de mim........
Vem....Vem...Vem...Veeeem..
Vem sentir o calor dos lábios
Meus a procura dos teus....
Vem matar essa paixão....
Que me devora o coração...
Só assim então serei feliz...
Bem..............Feliz.............

Ah se tu soubesses como eu sou
Tão carinhoso e muito..muito
Que te quero....E como é sincero
Meu amor...Eu sei que tu não
Fugirias..Mais de mim........
Vem....Vem...Vem...Veeeem..
Vem sentir o calor dos lábios
Meus a procura dos teus....
Vem matar essa paixão....
Que me devora o coração...
Só assim então serei feliz...
Bem..............Feliz.............
Meu coração...................

Me Chama - Lobão


Chove lá fora e aqui, faz tanto frio
Me dá vontade de saber

Aonde está você
Me telefona
Me chama, me chama, me chama

Nem sempre se vê
Lágrimas no escuro, lágrimas no escuro
Lágrimas, cadê você

Tá tudo cinza sem você
Tá tão vazio
E a noite fica sem porque

Aonde está você, me telefona
Me chama, me chama, me chama

Nem sempre se vê
Mágicas no absurdo, mágicas no absurdo

Sozinho - Caetano Veloso


Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois

Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho os meus segredos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém

Porque você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela de repente me ganha?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora

Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Charles Baudelaire



Charles-Pierre Baudelaire (1821-1867)
"Viens-tu du ciel profond ou sors-tu de l'abîme,Ô Beauté? Ton regard, infernal et divin, Verse confusement le bienfait et le crime,Et l'on peut pour cela comparer au vin."

Charles Baudelaire é considerado freqüentemente um dos maiores poetas do Século XIX, influenciando a poesia internacional de tendência simbolista. De seu estilo de vida originaram-se na França os chamados poetas "malditos". Um revolucionário em seu próprio tempo. Hoje ele ainda é conhecido, não somente como poeta, mas também como crítico literário. Raramente houve alguém tão radical e ao mesmo tempo tão brilhante. Mal compreendida por seus contemporâneos, apesar de elogiada por Victor Hugo, Teóphile Gautier, Gustave Flaubert e Théodore de Banville, a poesia de Baudelaire está marcada pela contradição. Revela, de um lado, o herdeiro do romantismo negro de Edgar Allan Poe e Gérard de Nerval, e de outro o poeta crítico que se opôs aos excessos sentimentais e retóricos do romantismo francês.

Poeta e crítico francês, Charles-Pierre Baudelaire nasceu em Paris em 9 de abril de 1821, na Rua Hautefeuille, nº 13 (casa já demolida; localização atual da Livraria Hachette, Boulev. St. Germain).


Joseph-François, o pai de Baudelaire, morreu em fevereiro no ano de 1827, quando Charles-Pierre tinha somente seis anos de idade. Após a morte do seu pai, Baudelaire foi criado por sua mãe e por sua enfermeira, Mariette. Sua mãe, porém, casou-se novamente em novembro de 1828. O padrasto de Baudelaire, Jacques Aupick, era um homem brilhante e auto-disciplinado. Distinguiu-se mais tarde como general e depois como embaixador e senador. Baudelaire, entretanto, não gostava de seu padrasto.


Em 1833, Aupick mudou-se com a família para Lyons, onde matriculou Charles Baudelaire em uma escola militar. A disciplina dura e o estudo rigoroso da escola tiveram uma influência profunda em Baudelaire e aumentaram seu desagrado para com seu padrasto. Na idade de quinze anos, Baudelaire foi matriculado em Louis-le-Grande, uma notória escola secundária francesa. Lá ele tornou-se cada vez mais insolente até, finalmente, ser expulso em 1839. Logo depois, declarou que pretendia tornar-se um escritor, para o grande desapontamento dos seus pais. Para evitar maiores problemas, entretanto, concordou em seguir estudos no Ecole de Droit, a escola de Direito de Paris. Mas seus interesses estavam dirigidos para qualquer coisa, menos o estudo. Em Paris, vai então morar em Lévêque Bailly, uma famosa pensão para estudantes onde conheceu diversos amigos boêmios, entre os quais os poetas Gustave Vavasseur e Enerts Prarond. Passa a viver um relacionamento amoroso com Sarah, uma prostituta de origem judia que era mais conhecida como Louchette. Em Bailly levava um estilo de vida excessivo, endividando-se cada vez mais. Durante esse tempo contraiu também sífilis, muito provavelmente nos prostíbulos que costumava freqüentar.


Procurando afastá-lo dessa vida boêmia, os pais de Baudelaire enviaram-no para fazer uma viagem pela África, seguindo primeiramente para ilha Maurício, em seguida na Ilha da Reunião e depois para a Índia. Saiu de Paris em junho de 1841 no navio, Des Mers du Sud de Paquebot, sob a supervisão do capitão Saliz. Durante todo o trajeto, Baudelaire permaneceu mal humorado e expressou seu desagrado em relação à viagem. Alguns meses após sua partida, o navio encontrou uma tempestade violenta e foi forçado a parar em um estaleiro para reparos. Lá Baudelaire anunciou sua intenção de retornar à França, apesar dos esforços do capitão Saliz em fazê-lo mudar de idéia. Acabou concordando em continuar a viagem. Apesar de seu desagrado quanto à viagem, é inegável que esta teve uma influência profunda em suas obras. Deu-lhe uma visão de mundo que poucos de seus contemporâneos tiveram.

Depois de seu retorno a Paris, Baudelaire recebeu uma herança de 100.000 francos deixada pelo seu pai. Com esta fortuna, mudou-se para um apartamento na ilha de Saint-Louis, onde freqüentou as galerias de arte e gastou horas com leituras e passeios. Por causa de seu comportamento excêntrico e roupas extravagantes, Baudelaire ganhou a reputação de dandy.

Em 1842 conhece Jeanne Duval, uma atriz do Quartier Latin de Paris. Jeanne era figurante no teatro da Porte Saint Antoine, entretanto sua maior ocupação era mesmo a prostituição. Como amante de Baudelaire, teve grande influência em muitas de suas obras. Sua beleza morena era a inspiração de diversos de seus poemas. A mãe de Baudelaire, entretanto, era totalmente indiferente a ela, chamava-a depreciativamente de "Vênus negra" por Jeanne ser mestiça. Em 1847, Baudelaire encontrou-se com Marie Daubrun, uma jovem atriz que foi sua amante entre 1855 e 1860, até que esta morreu doente. Em 1852, conhece Apollonie Sabatier, animadora de um salão literário muito badalado que era o ponto de encontro habitual para jantares com artistas e escritores famosos.

Baudelaire e Sabatier vivem um caso amoroso e ele escreveu-lhe muitos poemas que expressavam sua gratidão, porém depois que a paixão arrefece, passa a ter com ela apenas um relacionamento formal. Em 1854, já pensava em voltar para Duval ou Daubrun. A influência destas três mulheres em Baudelaire como escritor é muito evidente em seus poemas de amor e erotismo. Nessa época faz amizades com diversos escritores da época como Nerval, Balzac, Gautier e Banville e passa a freqüentar o famoso "Club dês Hashishins", um grupo de fumantes de haxixe que se reunia no Hotel Pimodan, onde passa a morar.

Em apenas dois anos esbanjou quase a metade de sua fortuna, e seus pais começaram a se preocupar com suas despesas excessivas. Colocaram-no então sob a guarda legal de um tutor, o escolhido foi Narcisse-Desejam Ancelle, um ato que Baudelaire considerou especialmente humilhante. Teve muitos débitos e foi forçado ainda a viver com uma renda muito abaixo do que estava habituado, sendo obrigado a viver dessa forma pelo resto de sua vida.

Enquanto o tempo passava, Baudelaire tornava-se cada vez mais desesperado. Em 1845 tentou o suicídio, embora tenha agido assim mais para chamar a atenção de sua mãe e de seu padrasto. Estes consultaram-no sobre a possibilidade dele voltar a viver com eles em Paris, entretanto Baudelaire preferiu continuar a viver longe dos pais. Em 1847 publicou Fanfarlo uma obra autobiográfica. Envolveu-se na revolta de 1848 em que teve um papel relativamente pequeno, ajudando na publicação de alguns jornais radicais de protesto.


Em 1852, Baudelaire publicou seu primeiro ensaio sobre o escritor norte americano Edgar Allan Poe. Tinha conhecido a obra de Poe em 1847, e começou a traduzi-la para o francês mais tarde. Foi influenciado extremamente pelas obras de Poe, e incorporou muitas de suas idéias em seu próprio trabalho. Publicou cinco volumes de traduções de Poe entre 1856 e 1865. Os ensaios introdutórios a estes livros são considerados seus estudos críticos mais importantes, destacando-se sobretudo o trabalho intitulado “O princípio poético” (1876).


Em 1857, a primeira edição de Les Fleurs du mal foi publicada por Poulet-Malassis um velho amigo de Baudelaire. A obra não foi bem aceita pelo público devido a seu foco em temas satânicos e lesbianismo. Menos de um mês depois que o livro foi posto à venda, o jornal Le Figaro publicou uma crítica mordaz que teve efeitos devastadores na carreira de Baudelaire. Ele e seu publicador foram ambos acusados de ultraje à moral e aos bons costumes. Foi multado em 300 francos, e seu publicador foi multado em 200 francos. Além disso, seis dos poemas no livro foram proibidos porque foram considerados muito imorais para serem publicados. Só a partir de 1911 apareceram edições completas da obra.

Tal desapontamento, mais a morte de seu padrasto no mesmo ano, lançou Baudelaire no mais profundo pessimismo e depressão. Em 1859, muda-se com a mão para Paris onde passa a viver com ela. Lá escreveu o terceiro Salão (1859), um livro de crítica artística que discute os trabalhos de vários artistas. Baudelaire destacou-se desde cedo como crítico de arte. O Salão (1845) e o Salão de 1846 (Salão de 1846) datam do início de sua carreira. Seus escritos posteriores foram reunidos em dois volumes póstumos, com os títulos de A Arte Romântica (1868) e Curiosidades estéticas (1868). Revelam a preocupação de Baudelaire de procurar uma razão determinante para a obra de arte e fundamentam assim um ideário estético coerente, embora fragmentário, e aberto às novas concepções.
Compôs também mais poemas para a segunda edição de As Flores do Mal, incluindo "A Viagem", que é considerado um de seus mais belos poemas.

Em 1860, publicou Paraísos Artificiais, ópio e haxixe , uma obra ao mesmo tempo especulativa e confessional, que trata sobre plantas alucinógenas, parcialmente inspirado no Confissões de um comedor de ópio (1822) de Thomas De Quincey. Durante toda sua vida, tinha recorrido freqüentemente às drogas a fim de estimular a inspiração, mas viu também o perigo de tal hábito. Concluiu que havia alguma espécie de "gênio mal" que explicaria a inclinação do homem para cometer certos atos e pensamentos repentinos. Este conceito das forças do mal que cercam a humanidade reapareceu em diversos outros trabalhos de Baudelaire.

A segunda edição de As Flores do Mal apareceu em 1861, com trinta e cinco poemas novos. Em poucos meses seguintes, a vida de Baudelaire foi marcada por uma série de desapontamentos. Foi desanimado por seus amigos de se candidatar a uma vaga na Academia Francesa de Letra, que esperava que pudesse ajudar a alavancar sua carreira de escritor. Devido a sua crise financeira, era incapaz de ajudar o seu publicador Poulet-Malassis, que acabou preso por não pagar as dívidas. Além disto, descobriu que sua amante Jeanne Duval tinha vivido por diversos meses com um outro amante de quem ela havia dito a Baudelaire ser apenas seu irmão. Em 1862 começou primeiramente a se queixar de dores de cabeça, náuseas, vertigens e pesadelos. Todos estes eventos devastadores, junto com seus problemas de saúde em decorrência da sífilis que contraiu na juventude, causaram a Baudelaire à sensação de que estaria enlouquecendo.

Em abril de 1863, Baudelaire saiu de Paris e foi para Bruxelas na esperança de encontrar um publicador para suas obras. Lá sua saúde piorou consideravelmente e em 1865 sofreu um ataque de apoplexia. Continuou a sofrer uma série de ataques, um destes teve como resultado afasia e uma paralisia parcial. Após permanecer em uma casa de repouso por dois meses, retornou a Paris no dia 02 de julho. No dia 31 de agosto de 1867, morreu de paralisia geral nos braços da sua mãe.

Por Beatrix Algrave

Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.


OBRAS


• O spleen de Paris
• Obras estéticas
• Paraísos Artificiais
• Sobre a modernidade
• As flores do mal
• Escritos sobre arte
• A Fanfarlo
• Pequenos poemas em prosa
• Richard Wagner e Tannhauser em Paris


TEXTOS

Leia aqui alguns poemas de Flores do Mal traduzidos para o português:

A Uma Passante


tradução Guilherme de Almeida

A rua, em torno, era ensurdecedora vaia.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão vaidosa
Erguendo e balançando a barra alva da saia;

Pernas de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como um basbaque extravagante,
No tempestuoso céu do seu olhar distante,
A doçura que encanta e o prazer que assassina.

Brilho... e a noite depois! - Fugitiva beldade
De um olhar que me fez nascer segunda vez,
Não mais te hei de rever senão na eternidade?

Longe daquí! tarde demais! nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!

O Vampiro
tradução Jamil Almansur Haddad

Tu que, como uma punhalada,
Entraste em meu coração triste;
Tu que, forte como manada
De demônios, louca surgiste,

Para no espírito humilhado
Encontrar o leito e o ascendente;
- Infame a que eu estou atado
Tal como o forçado à corrente,

Como ao baralho o jogador,
Como à garrafa o borrachão,
Como os vermes a podridão,
- Maldita sejas, como for!

Implorei ao punhal veloz
Que me concedesse a alforria,
Disse após ao veneno atroz
Que me amparasse a covardia.

Ah! pobre! o veneno e o punhal
isseram-me de ar zombeteiro:
"Ninguém te livrará afinal
De teu maldito cativeiro.

Ah! imbecil - de teu retiro
Se te livrássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!"

O Albatroz
Tradução de Guilherme de Almeida

Às vezes, por prazer, os homens de equipagem
Pegam um albatoz, enorme ave marinha,
Que segue, companheiro indolente de viagem,
O navio que sobre os abismos caminha.

Mal o põem no convés por sobre as pranchas rasas,
Esse senhor do azul, sem jeito e envergonhado,
Deixa doridamente as grandes e alvas asas
Como remos cair e arrastar-se a seu lado.

Que sem graça é o viajor alado sem seu nimbo!
Ave tão bela, como está cômica e feia!
Um o irrita chegando ao seu bico em cachimbo,
Outro põe-se a imitar o enfermo que coxeia!

O poeta é semelhante ao príncipe da altura
Que busca a tempestade e ri da flecha no ar;
Exilado no chão, em meio à corja impura,
A asa de gigante impedem-no de andar.

Uma carniça

Tradução de Ivan Junqueira.

Lembra-te, meu amor, do objeto que encontramos
Numa bela manhã radiante:
Na curva de um atalho, entre calhaus e ramos,
Uma carniça repugnante.

As pernas para cima, qual mulher lasciva,
A transpirar miasmas e humores,
Eis que as abria desleixada e repulsiva,
O ventre prenhe de livores.

Ardia o sol naquela pútrida torpeza,
Como a cozê-la em rubra pira
E para ao cêntuplo volver à Natureza
Tudo o que ali ela reunira.

E o céu olhava do alto a esplêndida carcaça
Como uma flor a se entreabrir.
O fedor era tal que sobre a relva escassa
Chegaste quase a sucumbir.

Zumbiam moscas sobre o ventre e, em alvoroço,
Dali saíam negros bandos
De larvas, a escorrer como um líquido grosso
Por entre esses trapos nefandos.

E tudo isso ia e vinha, ao modo de uma vaga,
Ou esguichava a borbulhar,
Como se o corpo, a estremecer de forma vaga,
Vivesse a se multiplicar.

E esse mundo emitia uma bulha esquisita,
Como vento ou água corrente,
Ou grãos que em rítmica cadência alguém agita
E à joeira deita novamente.

As formas fluíam como um sonho além da vista,
Um frouxo esboço em agonia,
Sobre a tela esquecida, e que conclui o artista
Apenas de memória um dia.

Por trás das rochas irrequieta, uma cadela
Em nós fixava o olho zangado,
Aguardando o momento de reaver àquela
Náusea carniça o seu bocado.

- Pois hás de ser como essa infâmia apodrecida,
Essa medonha corrupção,
Estrela de meus olhos, sol de minha vida,
Tu, meu anjo e minha paixão!

Sim! tal serás um dia, ó deusa da beleza,
Após a benção derradeira,
Quando, sob a erva e as florações da natureza,
Tornares afinal à poeira.

Então, querida, dize à carne que se arruína,
Ao verme que te beija o rosto,
Que eu preservei a forma e a substância divina
De meu amor já decomposto!

As Metamorfoses do Vampiro

Tradução de Ivan Junqueira.

E no entanto a mulher, com lábios de framboesa,
Coleando qual serpente ao pé da lenha acesa,
E o seio a comprimir sob o aço do espartilho,
Dizia, a voz imersa em bálsamo e tomilho:
- "A boca úmida eu tenho e trago em minha ciência
De no fundo de um leito afogar a consciência.
Sou como, a quem vê sem véus a imagem nua,
As estrelas, o sol, o firmamento e a lua!
Tão douta na volúpia eu sou, queridos sábios,
Quando um homem sufoco à borda dos meus lábios,
Ou quando o seio oferto ao dente que mordisca,
Ingênua ou libertina, apática ou arisca,
Que sobre tais coxins macios e envolventes
Perder-se-iam por mim os anjos impotentes!"

Quando após me sugar dos ossos a medula,
Para ela me voltei já lânguido e sem gula
À procura de um beijo, uma outra eu vi então
Em cujo ventre o pus se unia à podridão!

Os dois olhos fechei em trêmula agonia,
E ao reabri-los depois, à plena luz do dia,
A meu lado, em lugar do manequim altivo,
No qual julguei ter visto a cor do sangue vivo,
Pendiam do esqueleto uns farrapos poeirentos,
Cujo grito lembrava a voz dos cata-ventos
Ou de uma tabuleta à ponta de uma lança,
Que nas noites de inverno ao vento se balança.


BIBLIOGRAFIA SOBRE O AUTOR


BAUER, Roger. Baudelaire und die deutsche Romantik. Euphorion. v. 75, n. 4, p. 430-443, 1981.
BÉGUIN, Albert. L'âme romantique et le rêve; Essai sur le romantisme allemand et la poésie française. Paris: Librairie Jose Corti, 1956.
BOWMAN, Frank Paul. French Romanticism; Intertextual and Interdisciplinary Readings. Baltimore / London: The Johns Hopkins University Press, 1990.
BAUDELAIRE, Charles. A modernidade de Baudelaire. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
BAUDELAIRE, Charles. Obras estéticas: filosofia da imaginação criadora. Petrópolis: Vozes, 1993.
BONNEFOY, Yves. L'Improbable et autres essais. Paris: Gallimard, 1983.




LINKS
http://www.geocities.com/floresdomal/baudelaire.html
http://carcasse.com/revista/baudelaire/charles.htm
http://www.poetes.com/baud/

sábado, 14 de junho de 2008

Arriscar


"Rir é arriscar-se a parecer louco...
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental...
Estender a mão para o outro é arriscar-se a se envolver...
Expor seus sentimentos é arriscar-se a expor o seu eu verdadeiro...
Amar é arriscar-se a não ser amado...
Expor suas idéias e sonhos ao publico é arriscar-se a perder...
Viver é arriscar-se a morrer...
Ter esperanças é arriscar-se a sofrer decepção...
Tentar é arriscar-se a falhar...
Mas... É preciso correr riscos...
Porque o maior azar da vida é não arriscar nada...
Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são.
Pode estar evitando o maior sofrimento e a tristeza...
Mas, assim, não podem aprender,
Sentir, crescer, mudar, amar, viver...
Acorrentadas às suas atitudes; são escravas;
Abrem mão de sua liberdade.
Só a pessoa que se arrisca é livre...
Arriscar-se é perder o pé por algum tempo.
Não se arriscar é perder a vida."

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Maresias - Adriana Calcanhotto


O meu amor me deixou
levou minha identidade
não sei mais bem onde estou
nem onde há realidade

Ah, se eu fosse marinheiro
era eu quem tinha partido
mais meu coração ligeiro
não se teria partido

ou se partisse colava
com cola de maresia
eu amava e desamava
surpreso e com poesia

Ah, se eu fosse marinheiro
seria doce meu lar
não só o Rio de Janeiro
a imensidão e o mar

leste oeste norte sul
onde o homem se situa
quando o sol sobre o azul
ou quando no mar a lua

não buscaria conforto
nem juntaria dinheiro
um amor em cada porto

Ah, se eu fosse marinheiro..
não pensaria em dinheiro
um amor em cada porto..

Ah, se eu fosse marinheiro..

Água de beber


Eu quis amar mais tive medo
E quis salvar meu coração
Mas o amor sabe um segredo
O medo pode matar o seu coração
Água de beber
Água de beber camará
Água de beber
Água de beber camará
Eu nunca fiz coisa tão certa
Entrei pra escola do perdão
A minha casa vive aberta
Abri todas as portas docoração
Água de beber
Água de beber camará
Água de beber
Água de beber camará
Eu sempre tive uma certeza
Que só me deu desilusão
É que o amor é uma tristeza
Muita mágoa demais para um coração
Água de beber
Água de beber camará
Água de beber
Água de beber camará

terça-feira, 10 de junho de 2008

Só Tinha De Ser Com Você (Elis Regina E Tom Jobim)

É,
Só eu sei
Quanto amor
Eu guardei
Sem saber
Que era só
Pra você.

É, só tinha de ser com você,
Havia de ser pra você,
Senão era mais uma dor,
Senão não seria o amor,
Aquele que a gente não vê,
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.

É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,
Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.

É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,
Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.

Feminismo


Mesmo a mais emancipada, independente e bem resolvida das mulheres ainda se vê mergulhada na burocracia cotidiana do lar. É a velha história: depois de um dia inteiro de trabalho, é preciso lidar com uma rotina muito parecida com a das donas-de-casa do passado: dar orientações sobre refeições, lembrar que é preciso trocar a lâmpada da geladeira, marcar o médico das crianças ou dar aumento à empregada. Mesmo que se tenha um marido do tipo participante e engajado, a dupla jornada ainda é uma realidade para a maioria das mulheres. Quatro décadas depois de o movimento feminista ter fincado raízes irreversíveis no que diz respeito à evolução da condição feminina, as mulheres enfrentam situações paradoxais. Indaga Eni Samara, feminista, diretora do Museu do Ipiranga e professora do curso de pós-graduação de história na Universidade de São Paulo: "Eu ganho dinheiro, sou bem resolvida, me considero feminista. O que explica que eu queira fazer a lista do supermercado?"

A partir dessas situações elementares, pode-se concluir que o feminismo – tal como foi desenhado pelas militantes do movimento na década de 60 – ou está enterrado ou se perdeu no caminho. Mas a questão não é tão simples. Apesar de ter sido um dos mais importantes movimentos sociais do século XX, o feminismo possui semelhanças com qualquer outra revolução que tenha partido de ações radicais – sem se dar conta da complexidade das relações humanas envolvidas no processo. Isso significa que, na teoria, pregar a igualdade entre os sexos pode ser algo absolutamente viável. Na prática, descobriu-se que nem sempre o que a mulher deseja mesmo é ser igual. Tanto é que mesmo as principais representantes da causa acabaram por revelar, em algum momento, uma faceta, digamos, inesperada, independentemente das propostas que defendem. Só para ter uma pequena amostra do que houve nos últimos anos, a histórica feminista e petista Marilena Chaui lançou um livro de receitas em companhia da mãe. A atriz Jane Fonda, engajadíssima nos anos 70, revelou recentemente que era subjugada pelo marido, que a obrigava a participar de orgias contra sua vontade. O mesmo ocorreu com a escritora americana Betty Friedan, cujo livro A Mística Feminina, de 1963, demonstrou que o trabalho doméstico não traz realização para a mulher. Ela morreu em fevereiro passado. Poucos anos antes, revelou que apanhava do marido.

"Nenhuma mulher consegue um orgasmo ao encerar o chão da cozinha."
Betty Friedan
ESCRITORA AMERICANA

É certo que o feminismo trouxe mudanças irreversíveis para o mercado de trabalho, o comportamento sexual e, obviamente, as relações pessoais. Não se tem notícia de uma revolução de costumes tão poderosa e efetiva na história ocidental. Pelo menos nos países desenvolvidos, as conquistas femininas foram reconhecidas tanto na esfera privada quanto na pública. Do direito ao voto à legitimação do divórcio, da entrada maciça nas universidades ao reconhecimento da competência no trabalho, os progressos são inegáveis. Isso parece banal hoje, mas tais idéias eram absolutamente revolucionárias num passado não muito distante. Se muitas mulheres do século XXI ditam as regras no escritório e fazem sexo sem culpa com quem bem entendem, elas têm o que agradecer às feministas barulhentas dos anos 60. O problema é que as idéias revolucionárias parecem ter se enroscado na busca de soluções para questões que, em um primeiro momento, aparentemente dependiam apenas das atitudes individuais. Na prática, ninguém impede uma mulher de mergulhar completamente na carreira ou a obriga a ser responsável pela administração da casa. No entanto, é nesse âmbito de decisão, o que parece mais simples, que as coisas se complicam. Não há nada mais previsível do que o comportamento das multidões; e nada mais inesperado do que as reações do indivíduo. "O feminismo trouxe algumas idéias erradas, como o desejo de reproduzir o modelo masculino, como se todas estivessem dispostas a isso", diz Silvia Pimentel, do Comitê pela Eliminação da Discriminação contra a Mulher (Cedaw) das Nações Unidas e professora de direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Hoje se sabe que era bobagem as mulheres quererem se tornar homens e se coloca um novo dilema: como vão continuar sendo mulheres e combinando todas as conquistas do passado recente com os impulsos da maternidade, por exemplo?

As reflexões contemporâneas sobre a condição da mulher na sociedade – pelo menos nos países democráticos e nos que superaram índices mínimos de miséria – giram em torno da convivência doméstica, a trinca carreira-maternidade-matrimônio, e do fenômeno moderno da harmonização entre a vaidade e a competência profissional. A grande massa feminina parece estar muito mais interessada em lutar contra a balança e as rugas do que contra desigualdades ainda presentes e alardeadas desde a época das feministas históricas. Apesar de as mulheres ainda terem de se submeter ao aborto ilegal, a ganhar menos do que os homens, à injusta divisão das tarefas domésticas e à terrível violência no lar, resquícios de uma mentalidade ultrapassada, essas bandeiras não parecem fazer parte da agenda feminina atual. O que deu errado? Por que o feminismo ou outro movimento ainda não conseguiu tocar nesses pontos da vida da mulher?

"Nós não podemos acabar com as desigualdades entre homens e mulheres sem antes acabar com o casamento."
Robin Morgan
FEMINISTA AMERICANA

No centro das questões que afligem o movimento pós-feminista do século XXI, nada surge tão forte quanto o velho tema do casamento. Ele ainda é, ao que tudo indica, o grande nó da questão. "As mulheres devem reconhecer que a família é em 2005 o que o ambiente de trabalho era em 1964 e o voto, em 1920", escreveu a advogada Linda Hirshman, 62 anos, uma professora aposentada que está no centro de um acirrado debate sobre a condição feminina nos Estados Unidos. Segundo ela, de todos os erros cometidos pelo feminismo, o mais grave foi a incapacidade de mudar a instituição que estaria no centro de toda a tragédia feminina. Da forma como está posto, de acordo com a especialista, o casamento é um empecilho para que as mulheres atinjam a igualdade total de salários, as mesmas oportunidades de ascensão profissional e a divisão com os homens da carga de trabalho e das responsabilidades na administração da casa e na educação dos filhos. De acordo com sua teoria, a infelicidade das mulheres reside na obrigação de cuidar da casa e dos filhos e dividir a vida familiar com o trabalho. Para a escritora, esse peso não é compartilhado com os homens, que continuam a desfrutar a condição vantajosa de apenas ir de casa para o escritório e vice-versa, sem se sentir obrigados a esquentar o jantar ou pôr a mesa. Quando o fazem, aliás, não são tratados como se cumprissem uma obrigação, apenas. Parecem fazer um favor.

Ao que tudo indica, a solução para esse tipo de problema estava entre as quatro paredes do lar. Mas há quem discorde. A socióloga Rosiska Darcy de Oliveira, fundadora do Centro de Liderança da Mulher (Celim), tem uma tese segundo a qual esse dilema não é solucionável no âmbito das relações entre homens e mulheres. A saída, ela diz, seria as empresas reduzirem a jornada de ambos, homens e mulheres, para que juntos, então, eles tivessem tempo de cuidar dos afazeres domésticos. Segundo Rosiska, a vida privada continuou estruturada, em termos de emprego de tempo e responsabilidades, como se as mulheres ainda vivessem como suas avós, ou seja, sem trabalhar. Autora do ensaio Marianismo: a Outra Face do Machismo na América Latina, a socióloga americana Evelyn Stevens foi além. Há três décadas ela escreveu que, na verdade, as mulheres, sobretudo na América Latina, têm muita dificuldade em abrir mão do controle da casa. No Brasil, onde ter uma empregada doméstica não é um luxo como na Europa ou nos Estados Unidos, as tarefas do lar se tornam um pouco menos pesadas, mas isso não significa que elas estejam dispostas a virar executivas workaholics.

"Casamento é o destino tradicionalmente oferecido às mulheres pela sociedade. Também é verdade que a maioria delas é casada, ou já foi, ou planeja ser, ou sofre por não ser."
Simone de Beauvoir
ESCRITORA FRANCESA

Seja qual for a razão pessoal pela qual as mulheres continuam a se desdobrar em casa, o que os analistas do assunto afirmam é que é preciso romper socialmente essa dependência. Sem mexer no papel tradicional que a mulher exerce no casamento, pregam esses estudiosos, elas tendem a continuar em desvantagem eterna em relação aos homens, sobretudo no campo profissional. É verdade que, nos últimos anos, a diferença salarial diminuiu, assim como se abriram muitos cargos de chefia para as mulheres. Matematicamente, porém, a distância ainda é bem sólida. Nos Estados Unidos, elas ganham 25% a menos do que os homens na mesma atividade profissional. No Brasil, 30%.

Por mais contraditório que possa parecer, a conquista do mercado de trabalho e a abertura de carreiras possíveis para as mulheres podem ter despertado um lado obscuro da personalidade delas. O clamor da multidão também afetou aqui o lado individual de cada um. É a análise da escritora inglesa Alison Wolf, que, em um artigo publicado recentemente na revista inglesa Prospect, alertou para conseqüências perversas do feminismo. Segundo ela, a idéia incessantemente martelada de que filhos atrapalham a carreira e as finanças da família está contribuindo para o surgimento de uma geração obcecada por sucesso e dinheiro. O resultado é um certo individualismo exacerbado, em que o que interessa sou eu, aqui e agora. Nesse sentido, de acordo com a teoria de Alison, algumas das chamadas mulheres bem-sucedidas estão perdendo seu espírito altruísta. "Elas preferem ganhar dinheiro a fazer trabalhos voluntários ou a se dedicar à família", escreveu. "Também não se sentem responsáveis por cuidar dos mais velhos e dos doentes, acreditando que esse trabalho deve ser feito por instituições." Pode parecer uma posição extremamente machista, mas o que Alison Wolf quer dizer é mais profundo. Ela teme a derrocada do que chama de sisterhood, o sentimento fraternal que unia, por afinidade ideológica, mulheres do mundo inteiro. Na opinião da escritora, a cumplicidade feminina desapareceu porque mulheres de diferentes classes sociais não têm mais as mesmas experiências de vida. As ricas trabalham fora, deixam os filhos com a babá, fazem academia, colocam silicone nos seios e tocam a vida. Às pobres fica o desafio de lidar com uma penca de filhos e o marido muitas vezes violento e alcoólatra.

Coordenadora-geral do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos, a pesquisadora carioca Maria Luiza Heilborn acha que os ideais feministas se restringiram a debates pertinentes aos menos abastados, principalmente em países como o Brasil. "Questões como violência doméstica e aborto afetam sobretudo essa camada. Não adianta querer que a patricinha da universidade se engaje nesse assunto", diz.

"Uma mulher liberada é aquela que tem sexo antes do casamento e um trabalho depois."
Gloria Steinem
FEMINISTA AMERICANA

Outro efeito colateral do feminismo dos anos 60 foi uma certa perda de identidade das mulheres. À medida que buscavam espaço igual ao dos homens, elas começaram a reproduzir posturas tipicamente masculinas. Isso mudou. Se antes a idéia era abafar a sexualidade, o que se vê hoje é a reação contrária: uma superexposição da sexualidade, uma ânsia de ser jovem, bonita e desejável. Surgiu recentemente até um termo para definir mulheres que se comportam sexualmente como homens: "predadoras". Assim são chamadas as que agem como machistas de antigamente, contabilizando como feitos dignos de menção pública suas aventuras amorosas.

Em blogs na internet, a nova geração do feminismo escreve avidamente sobre sexo, moda e beleza. Elas fazem parte do que alguns chamam de Terceira Onda do Feminismo, têm entre 15 e 40 anos e acreditam que ser feminista é sentir prazer no sexo sem compromisso com meninos e meninas e comprar sapatos modernos. "Infelizmente, a batalha pelo direito ao aborto é a única bandeira do feminismo que permanece viva fora do Oriente Médio. O movimento, principalmente nos Estados Unidos, acabou reduzido à luta da mulher para não ter de ser mãe", lamenta a escritora Phyllis Chesler, autora do best-seller Letters to a Young Feminist (Cartas a uma Jovem Feminista). No Brasil não é diferente. Os ícones da cultura pop que falam às mulheres sobrevivem à superfície: as donas-de-casa descompensadas da série Desperate Housewives ou mesmo peças de teatro que satirizam as solteiras, como o besteirol Os Homens São de Marte... E É para Lá que Eu Vou, sucesso de público em todo o Brasil.

Um dos maiores desafios do pós-feminismo é encontrar meios de enfrentar o padrão estético imposto pela sociedade. Essa pressão gera uma tremenda crise de identidade. Segundo uma pesquisa realizada no início do ano pelo site inglês tescodiets.com, de cada vinte mulheres entrevistadas, dezenove disseram que preferem ser magras a inteligentes. Conforme o estudo, uma em cada três mulheres pesquisadas admite gastar mais tempo pensando no peso corporal do que no trabalho, nas finanças ou na família. Há quem chame isso de terrorismo estético. É o desejo de manter uma aparência sedutora que explica por que as clínicas de cirurgia plástica vivem lotadas. Eis, portanto, um novo e tremendo desafio para o pós-feminismo: conquistar o direito de envelhecer com tranqüilidade, tendo uma relação menos neurótica com o amadurecimento do corpo e descobrindo maneiras melhores de lidar com a vida sexual após os 60 anos. Para atingir esses objetivos, será necessária uma outra grande revolução de comportamento, quase do porte do que foi o feminismo para uma geração engajada e politizada de quarenta anos atrás.

Sexo em Números




Pesquisas mostram o que o brasileiro declara a
respeito de seus hábitos e preferências na cama

• 1% dos homens brasileiros fica com raiva depois de se masturbar
• 1% declara preferir relacionar-se com mulheres negras
• 2% se dizem bissexuais
• 2% conseguem controlar a ejaculação por até cinqüenta minutos
• 3% dizem praticar a troca de casais
• 3% gostam de dar tapinhas na mulher durante o sexo
• 4% usam roupas e acessórios para apimentar o sexo
• 4% preferem as ruivas
• 6% admitem ser homossexuais
• 7% não têm ereção com camisinha
• 9% reservam até trinta minutos para as preliminares


10%

• 11% dos casados ou com parceira fixa usam camisinha sempre
• 11% tentariam flagrar com uma webcam o namoro virtual da parceira se descobrissem que ela os estivesse traindo pela internet
• 12% vêem filmes eróticos ao menos uma vez por mês
• 13% freqüentam sex shops
• 13% aproveitam o intervalo do almoço para manter relações sexuais
• 15% dos homens que fazem sexo pela internet vão para a cama de fato com as parceiras virtuais
• 15% culpam a mulher quando se descobrem impotentes
• 18% gostariam que suas parceiras gritassem na hora do sexo
• 18% preferem fazer sexo com as morenas
• 19% consideram traição fazer sexo virtual


20%

• 20% dos homens que sofrem de ejaculação precoce ejaculam antes da penetração21% gostariam de viver uma aventura amorosa no elevador
• 23% deles lêem revistas pornográficas semanalmente
• 24% declaram que nunca foram enganados
• 25% têm a fantasia de chegar em casa e encontrar a mulher nua na cama à sua espera
• 28% dizem que gostariam de estar com duas mulheres na cama. Desconfia-se que os outros 72% também pensem nisso, mas ficam quietos


30%

• 31% afirmam que já foram traídos
• 32% se sentem aliviados após a masturbação
• 33% admitem que já falharam ao menos uma vez
• 33% dizem que a mulher ideal tem seios fartos, quadril grande, cintura fina e pés pequenos
• 34% confessam que não controlam a ejaculação por medo de perder a ereção
• 37% gostam de fazer sexo logo depois de acordar
• 39% acham que não pode faltar cumplicidade no sexo


40%

• Em 40% dos casos, a dificuldade do casal de ter filho se deve à infertilidade masculina
• 41% deles dão um tempo e retornam quando percebem que vão falhar
• 44% dos homens com idade até 25 anos gostariam de fazer sexo várias vezes por dia
• 45% deles acham que o tamanho do pênis não é importante, o que importa é saber o que fazer com ele
• 46% deles têm alguma disfunção erétil
• 47% declaram que a primeira relação ocorreu em casa
• 49% preferem fazer sexo à noite


50%

• 50% dos que compram objetos sadomasoquistas preferem algemas e chicotes
• 52% dos traídos rompem a relação ao saber da traição
• 53% têm a primeira relação sexual com idade entre 15 e 19 anos
• 56% dos solteiros usam preservativo sempre
• 57% dos pênis ficam retos quando flácidos, se olhados de frente
• 59% dos casados nunca usam camisinha


60%

• 60% deles temem decepcionar a parceira na cama
• 61% deles preferem a posição "papai e mamãe"
• 62% deles ejaculam três minutos depois da penetração
• 65% deles gostam de ter relações com a mulher de costas
• 65% deles justificam a traição dizendo que a esposa não demonstra interesse sexual
• 66% preferem transar com loiras
• 67% deles praticam sexo oral regularmente


70%

• 70% deles pedem filé com fritas quando passam a noite no motel
• 70% dos que compram fantasias em sex shops levam a de enfermeira para casa
• 71% deles dispensam de um a cinco minutos para as preliminares
• Dos internautas que já acessaram sites de sexo virtual, 72% são homens
• 73% dos homens sadomasoquistas cursaram universidade
• 74% se masturbam regularmente
• 78% acham excitante ver duas mulheres se beijando. Os outros 22% que também acham não falam


80%

• 80% acham que a infidelidade dele melhora o casamento
• 80% ficam deprimidos quando se descobrem impotentes
• 81% deles afirmam que a ansiedade é a grande culpada pela disfunção sexual
• 84% tiveram orgasmo na primeira relação sexual
• 85% dos pênis ficam absolutamente retos quando eretos
• 89% acham excitante fazer carícias nas nádegas da mulher


90%

• 90% se dizem heterossexuais
• 93% deles se masturbam enquanto fazem sexo virtual
• 95% deles dizem não ter problemas para alcançar o orgasmo


100%

• 100% relatam que o contato da boca feminina com o pênis é a melhor forma de provocar a ereção e que gostariam que isso acontecesse sempre antes da penetração vaginal



Fontes: Projeto Sexualidade da USP, Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, Sociedade Brasileira de Urologia, Ministério da Saúde, Instituto Paulista de Sexualidade, Centro de Estudos e Pesquisas em Comportamento e Sexualidade, IBGE, Instituto Kaplan, Departamento de Antropologia Cultural da UFRJ, Ambulatório de Psiquiatria da Unicamp, Programa de Pós-graduação em Sexualidade da Unicamp, Departamento de Urologia do Hospital das Clínicas da USP, Instituto de Psicologia da PUC-Minas, Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, Sociedade Brasileira de Sexologia, Clínica Psicoterápica Prof. Isaac Charam, Centro de Orientação e Desenvolvimento da Sexualidade, Universidade de Florença, Universidade Boston, American College of Medical Genetics, site http://www.the-penis-website.com, site Amigos Virtuais, Sex shop siteg.com.br, Sex shop sextoy.com.br, Fetiche Sex Shop, Motel L'Amour, Motel Chalé e Motel Vip's

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Decálogo da cobiça

carta capital
06/06/2008 15:25:55
Mauricio Dias

A contestação da soberania brasileira sobre a Amazônia não é recente. Declarações feitas por influentes personalidades mundiais, nas duas últimas décadas, dão o tom das pressões. Abaixo uma amostra:

1. “Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles, mas de todos nós.” (Al Gore, como vice-presidente dos EUA)

2. “O Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia.” (François Mitterrand, como presidente da França)

3. “As campanhas ecológicas internacionais sobre a região amazônica estão deixando a fase propagandística para dar início a uma fase operativa que pode definitivamente ensejar intervenções militares diretas sobre a região.” (John Major, como primeiro-ministro da Grã-Bretanha)

4. “O Brasil deve delegar parte de seus direitos sobre a Amazônia aos organismos internacionais competentes.” (Mikhail Gorbachev, como presidente da extinta União Soviética)

5. “Os países industrializados não poderão viver da maneira como existiram até hoje se não tiverem à sua disposição os recursos naturais não renováveis do planeta. Terão de montar um sistema de pressões e constrangimentos garantidores da consecução de seus intentos.” (Henri Kissinger, ex-secretário de Estado dos EUA)

6. “Atualmente avançamos em uma ampla gama de políticas, negociações e tratados de colaboração com programas das Nações Unidas (...) e crescente participação da CIA em atividades de inteligência ambiental.” (Madeleine Albright, como secretária de Estado dos EUA)

7. “Caso o Brasil resolva fazer um uso da Amazônia que ponha em risco o meio ambiente dos Estados Unidos, temos de estar prontos para interromper este processo imediatamente.” (general Patrick Hughes, ex-chefe do Órgão Central de Informações das Forças Armadas dos EUA)

8. “A Amazônia e as outras florestas tropicais do planeta deveriam ser consideradas bens públicos mundiais e submetidas à gestão coletiva, ou seja, gestão de comunidades internacionais.” (Pascal Lamy, como Comissário da União Européia na ONU)

9. “Essa parte do Brasil (Amazônia) é muito importante para deixar para os brasileiros. Se perdermos as florestas, perderemos a luta contra o aquecimento global.” (The Independent/editorial)

10. “O que uns vêem como a salvação da soberania pode ser a destruição da floresta (...) as restrições refletem um debate maior sobre os direitos à soberania versus patrimônio do mundo.” (The New York Times/editorial) Como se sabe, essa gente é capaz. Capaz de tudo.

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O Brasil e as Farc

A oposição tenta, sem sucesso, criar um caso a partir de supostas relações entre autoridades brasileiras e Olivério Medina, um representante informal das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Embora não apresente credenciais da função, Medina transita por aqui desde 1997, desenvolvendo ações políticas com a finalidade de conseguir adesão à tese de que as Farc são uma “força beligerante”.

Os primeiros contatos de Medina foram feitos no Congresso, em 1998, já no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso.

A oposição de hoje, PSDB e PFL (atual DEM), era a situação. Na edição de 15/11/1998, a Folha de S.Paulo registrou que os primeiros parlamentares com os quais o representante das Farc esteve foram os deputados tucanos Tuga Angerami e Arthur Virgílio.

Ninguém lançou sobre FHC a suspeita de transacionar clandestinamente com as Farc. Mas a suspeita pesa sobre Lula, pelo simples fato de o atual governo executar uma política externa não-alinhada com os americanos como era no governo passado.

O ministro Celso Amorim deu de cara com esse contraste político quando esteve na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Senadores da oposição queriam saber por que o Brasil não incluía as Farc na categoria de “grupo terrorista”. Amorim explicou que o único país a usar esse critério de classificação são os EUA. Todos os outros acompanham as resoluções da ONU. Por isso, só a Al-Qaeda é considerada oficialmente, pelo Brasil, como uma “organização terrorista”.

Nem por isso, no entanto, o País apóia as ações de seqüestro das Farc.

::

Cena brasileira
O registro da morte de um motorista de ônibus na primeira página do jornal O Globo, há 50 anos, mostra uma mudança radical ocorrida no País nas últimas cinco décadas.

O aumento da violência matou a sensibilidade da imprensa.

Batalha Naval
Está duríssima a luta pelo controle da diretoria de Planejamento da Secretaria Especial de Portos. De um lado, o deputado Marcio França, do outro, a ex-deputada Telma de Souza. Defendem interesses divergentes.

Marcio, do PSB paulista, tem forte influência no setor marítimo. Telma é da turma com trânsito informal com o banqueiro Daniel Dantas. Integra a ala informal petista chamada de PT do D.

Em jogo, a concessão, sem licitação, de um terminal de veículos à Santos Brasil, empresa do Opportunity, controlada por Dantas.

Telma quer Fabrício Pierdomênico, na secretaria. Um legionário da causa de mandar a licitação para o espaço.


A sonoridade do não
Raimundo Moreira, pré-candidato do PRB à prefeitura de Salvador, renunciou à disputa para apoiar o nome de ACM Neto, do DEM, embora liderasse as pesquisas de intenção de voto.

Ele era ambicionado pelo PSDB. Os tucanos garantem que o acordo envolveu do apoio do DEM ao senador Marcelo Crivella, do PRB, num provável segundo turno na eleição para a prefeitura carioca.

Perguntado por e-mail, escrito em “Arial tamanho 10”, se havia o acordo, o prefeito Cesar Maia respondeu em “Arial tamanho 24”: “Não!”

Meio ambiente
A exposição excessiva à luz dos flashes pode levar uma nova espécie para a lista oficial de animais em extinção.

Trata-se do “Minc-leão-dourado”.

Revés (1)
O prefeito do Rio, Cesar Maia, sofreu duas derrotas judiciais recentes.

Alguns empresários, que, segundo o alcaide, “só olham para o lucro”, conseguiram liminares contra a proibição do cigarro em qualquer ambiente fechado e a circulação de caminhões em horários de rush.

Pode-se suspeitar que o prefeito tenha sido movido pela proximidade das eleições municipais. Ele precisa resgatar o eleitorado que perdeu na zona sul da cidade, alvo principal das duas medidas.

A decisão, de qualquer forma, foi pior para a população. Mas essa não parece ser a causa que norteia certas decisões da Justiça.

Revés (2)
Quanto à liberação do cigarro, resguardados os direitos dos ex-fumantes e dos não-fumantes, melhor é adotar o lema que norteava o resmungado do cronista Rubem Braga: “Quem quiser fumar que se fume”.

Onde há fumaça...
O Ministério Público Federal, em Brasília, recebeu denúncia sobre possível malversação de verbas na Previ, a poderosa caixa de previdência dos funcionários do Banco do Brasil.

Na mira da investigação está a venda das ações da Inepar, a partir de uma desmobilização da totalidade da carteira na empresa.

O responsável por essa operação de venda já foi substituído em ato preventivo.

Dialética da conciliação
Ainda não há vencedor, no PT mineiro, em relação ao acordo com o PSDB para a eleição municipal em Belo Horizonte.

É um combate travado em silêncio entre o prefeito Fernando Pimentel e o ministro Patrus Ananias, contrário à aliança.

Em minoria no Diretório Nacional, e para evitar um veto formal à aliança, Pimentel comprometeu-se a costurar uma coligação informal.

Ficou parecendo que o prefeito perdeu. Mas as soluções mineiras nem sempre são o que parecem.

Nesse caso, o PT ficou fingindo, fingindo que não deixou.


Mauricio Dias

sábado, 31 de maio de 2008

Paixões


Amar é muito dificil;
Não queria ter coração;
Pq assim não sofreria;
E dor não sentiria;
Por ter um coração assim;
Tão georgia;
Tão eu;
Tão sem fim;
Dói doi vai;
Maltrate logo este ser;
Machucaste - me apenas pq vives dentro de mim;
E assim conheces todos os meus erros;
E meus medos;
Mas mesmo assim amo-te meu coração;
Que bate por mim....
(Geórgia Ribeiro)

Technologic - Daft Punk




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Música popular?





Era uma vez uma sigla chamada MPB. Designava uma tal “música popular brasileira” e se tornou moeda corrente a partir dos anos 1960, quando adotada por toda uma geração universitária de compositores, cantores e admiradores. Décadas adiante, a sigla pouco a pouco se encastelou. Isolou-se de gêneros supostamente “inferiores”, blindou-se como num condomínio fechado de bairro nobre. Entrou em crise, até de identidade. Quem faria a MPB de 2008? O rococó Djavan ou a simplória Banda Calypso? O bissexto João Gilberto ou a onipresente Ivete Sangalo? O que seria MPB em 2008? O banquinho-e-violão em redutos exclusivos do eixo Rio-São Paulo ou o pop que corre por fora da indústria e lota arenas nas periferias do Brasil?

A resposta seria tudo isso ao mesmo tempo, caso a sigla MPB tivesse resguardado o alcance do pomposo nome composto. Talvez não seja quase nada, tal é a tendência ao confinamento que passou a acompanhar os termos “música”, “popular” e “brasileira”, quando colocados lado a lado. “Criou-se esse termo MPB como se fosse um tipo de música, o que acho inadequado, apesar de estar consagrado”, afirma o historiador cearense Jairo Severiano, autor de um livro recém-lançado que, por sinal, leva no título o termo fatídico, Uma História da Música Popular Brasileira das Origens à Modernidade (Editora 34, 504 págs., R$ 64). “É uma sigla. Deveria ser usada para designar a música de qualquer gênero, moderna ou antiga, boa ou ruim. Mas passou a ser a música popular brasileira de elite.”

Hoje automático, o uso da expressão perde de vista o fato de que a sigla é uma invenção, e que nem sempre houve sentido em usá-la, ou mesmo em discriminar a música entre “popular” e “erudita”, como se fossem pólos opostos, incompatíveis. O estudo de Severiano parte do compositor mulato Domingos Caldas Barbosa, cantor de modinhas e lundus para a aristocracia de Portugal nos anos 1700. Não era rotulado de “popular” ou “erudito”, mas, como relata Severiano, atraía manifestações iradas como a do historiador português Antônio Ribeiro dos Santos: “Eu não conheço um poeta mais prejudicial à educação (...) do que este trovador de Vênus e Cupido”.

Segundo Severiano, a querela entre “populares” e “eruditos” já era pronunciada na década de 1930, época de avanço do cinema falado, rádio, disco e a primeira grande geração de músicos “populares” no Brasil, de Silvio Caldas e Carmen Miranda. “Fui adolescente nos anos 40, e na minha família havia um preconceito terrível contra a música popular, como havia na classe média e principalmente na alta. Só consideravam música o que era de concerto. Esse ente já nasceu com a conotação de inferioridade perante a música clássica.”

Espezinhada pelos ditos “eruditos”, a música “popular” iniciou sua própria trajetória de elitização em 1958, com o surgimento da bossa nova. Tom Jobim incorporou Villa-Lobos, João Gilberto absorveu o jazz e os universitários dos anos 60 deram partida à sigla MPB, que mais tarde hostilizaria subliminarmente subgêneros “menores”, como samba, rock, música caipira ou romântica. A consolidação de guetos levou criadores e consumidores a fazerem vista grossa a “detalhes” fora de lugar nas gavetas classificatórias, como a sofisticação contida em gêneros “populares” como samba e choro, ou a banalidade inerente a muitas letras da bossa nova.

De acordo com Severiano, muito da MPB operante ainda hoje tem raízes no samba-canção dos anos 50, em duas vertentes cada vez mais distanciadas uma da outra. A “moderna” nasceu da obra então acariocada do baiano Dorival Caymmi e de nomes como Lúcio Alves e Dolores Duran. Originou a bossa nova, que derivou para a canção de protesto, a tropicália e a MPB. A vertente “tradicional”, de autores como Herivelto Martins e Lupicinio Rodrigues, seguiria com os cantores Anísio Silva e Altemar Dutra e redundaria, segundo ele, na música “cafona” e “brega” das décadas seguintes.

A distinção oculta um curioso paradoxo. Cafonas e bregas (e sertanejos, pagodeiros, axezeiros, funkeiros) formulariam a música efetivamente mais difundida do Brasil. Mas o termo “popular” seria seqüestrado por segmentos primeiro mais sofisticados, depois mais herméticos e por fim menos populares.

Diretor da gravadora paulista Trama, João Marcello Bôscoli sai em defesa do “P” de MPB: “Entendo o termo ‘popular’ não como comercial ou de massa, mas como não erudito. É sabido que a maioria dos artistas da MPB não tem compromisso em construir hinos à multidão”.

Ele lamenta a dissolução da sigla: “A bossa nova foi feita e depois não houve prosseguimento. O mesmo aconteceu com a tropicália. A indústria fonográfica perdeu a bossa e a tropicália, e também a MPB. Mas a indústria não é diferente do resto do País. Somos um país que não consegue construir”. E defende a permanência do termo: “MPB é um nome legal, embora hoje lembre música de festival, ou sofisticada, feita pela elite daqueles artistas que a gente sabe quais são. Mas vale a pena pegar a sigla e jogar fora? Só se vai gastar dinheiro para criar outro nome”.

O jornalista e escritor paulista Zuza Homem de Mello sustenta que são menos distintos atualmente os limites entre MPB e música clássica: “A barreira é muito menor. A música de Luiz Tatit ou Guinga aproxima-se muito mais da de Villa-Lobos ou Radamés Gnattali que daquilo que hoje tem apelo pop, que é Ivete Sangalo, Ana Carolina. A atração delas é numa outra região, às vezes você nem sabe o que as letras querem dizer”.

Ele situa a MPB perto do jazz, como música para ser ouvida, e não dançada. E mais ligada, talvez, dos gabinetes que das multidões. Outro paradoxo, pois o jazz nasceu dançante, “popular”, como o próprio Zuza esmiúça em Música nas Veias (Editora 34, 360 págs., R$ 46). A MPB talvez repetisse esse destino, de lenta viagem da explosão comercial à conversão em peça de museu. E os salões que já tocaram jazz, gafieira e rock hoje tocam funk e tecno. “A música dançante sempre foi mutante. O que é hoje não será amanhã”, avalia.

O antropólogo Hermano Vianna reflete sobre a elitização da música “popular” com indagações: “Será que a MPB não faz mais canções populares? Mas, se o CD da Vanessa da Mata é MPB, aquela canção com Ben Harper (um pop de alta rotação no rádio) não é popular? E será que MPB significa alguma coisa ainda? Significa o quê?” E arremata: “A quem interessaria uma definição clara de MPB? Às lojas de discos que não mais existem?”

A cantora Olivia Hime, diretora da gravadora carioca Biscoito Fino, diz receber diariamente cinco discos de jovens que afirmam fazer MPB. “Querem dizer que fazem música nos moldes de Chico Buarque e Edu Lobo, e não axé, rock ou hip-hop.” Ela reconhece os paradoxos da sigla: “É contraditório. Essa música passa a não ser popular, pois não é mais cantarolada”.

Para quem não se ajusta bem aos cânones da MPB, o sentimento parece ser de inadaptação. “Existe uma separação, né?”, pergunta a compositora e cantora carioca Teresa Cristina, próxima ao samba. “Leio em notinhas e pesquisas por aí, ‘Chico Buarque, compositor’, ‘João Nogueira, sambista’. ‘João Bosco, compositor’, ‘Nei Lopes, sambista’. Quem escreve nem se dá conta da separação.” Preocupada com a música feita mais “para separar” que “para unir”, acrescenta: “Sinto que há uma resistência de assumir o samba como MPB, que as pessoas gostam dessa divisão como idéia de sofisticação. ‘Tal coisa não é mais samba, virou MPB porque se sofisticou’”.

“Essa sigla me incomoda muito, porque o Brasil que vejo é muito diferente. A MPB vende um Brasil que não é o Brasil, com papel celofane, sofisticado”, reivindica o paulista Leandro Lehart, ex-integrante do grupo de pagode Art Popular e entusiasta da mistura de samba com outros gêneros. “MPB é como se fosse um clube, a que algumas pessoas têm acesso e outras, não. Ouvi de radialista que minha música não toca em rádio de MPB porque sou pagodeiro, ‘as pessoas vão se incomodar de ouvir aqui’. Não faço questão de fazer parte dessa sigla, ela não acrescenta nada. Meu trabalho é popular, de massa”, afirma, do alto de agenda de shows lotados Brasil afora, nos quais vende o CD Mestiço, lançado artesanalmente, sem gravadora.

“Minha geração usou o samba porque pandeiro é mais barato que bateria, um cavaquinho custa menos que um contrabaixo. Sou fã de Raul Seixas, James Brown, Djavan, e economizava para comprar os tamborins de plástico que o Mappin anunciava na tevê”, completa, remetendo à cisão social por trás das músicas.

“Nunca na minha vida usei esse termo. Podem me colocar em qualquer outro lugar, só não quero me localizar na MPB”, afirma o paulista Luiz Tatit, cantor, compositor, acadêmico e escritor. Autor de música elaborada na tradição de Noel Rosa e Lamartine Babo, ele explica a aversão ao termo: “Para mim, MPB tem uma conotação muito conservadora. Denota algo que parece de qualidade, mas é estéril, porque não pode se misturar, não pode ser rap, nem reggae, nem rock”.

Refere-se a uma “atitude erudita” no topo da MPB e faz ressalvas ao modo como se costuma discriminar canção “sofisticada” de “comercial”. “A música brega é muito mais acessível e tem sempre um grande público, uma perenidade absoluta. A MPB se encaixa num segmento de elite, como se fosse mais elaborada. E não é, porque, quanto à melodia, é tudo mais ou menos a mesma coisa. A avaliação da qualidade muitas vezes está fora da música, é ideológica.”

Zuza Homem de Mello faz avaliação de ouvidos abertos ao futuro: “Tenho notado que, no interior do Brasil, há manifestações de jovens voltados à música local, ao folclore, de uma seriedade incrível. São violeiros de um preparo técnico como nunca vi antes. No Rio e em São Paulo, vivemos cercados, numa redoma, e não vemos nada disso”.

O campo de força da chamada “qualidade” musical foi tensionado de modo dramático pelos tropicalistas de 1968. “Minhas tias diziam: ‘Esse negócio de vocês não é música, é ritmo’. Para elas, éramos a barbárie”, diz o baiano Tom Zé. E lembra um episódio do festival de 1969: “Tínhamos o gosto pela música caipira, que não se podia contar a ninguém. Quando eu e os Mutantes fizemos 2001, uma música caipira moderna, ela foi apaixonadamente odiada por Hebe Camargo. Ela não podia nem ouvir, porque era o passado que não queria lembrar. A platéia reagiu como Hebe, e 2001 teve primeiro lugar no júri e último no júri popular”. A dissociação acontecia também na cabeça do público, que afinal podia rejeitar 2001 porque era “caipira”, ou porque era “moderna”, ou por ambos os motivos, espalhados por um salão onde a música tentava simular uma democracia, em plena ditadura.

Dois anos antes, em 1967, o bossa-novista Sérgio Ricardo quebrara o próprio violão durante a apresentação do samba Beto Bom de Bola, vaiado por uma platéia participativa e radical. Era tempo de guerra e, como assinala Tom Zé, “pela teoria da guerra, países vizinhos sempre brigarão”. A MPB iniciava a viagem da glória ao gueto e os estilhaços das batalhas de então se fazem sentir no território de facções beligerantes que em 2008 a música brasileira ainda não consegue deixar de ser.

Pedro Alexandre Sanches
Carta Capital

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Minha VIDA!!!



P.S. Encontrei no youtube e gostei da mensagem, perdoem os erros abrasileirados e retenham-se no conteúdo.

Hoje eu to Cansada!!!




Cansaço de viver o que não se escolhe viver...
Cansaço de sentir o que não se quer sentir...
Cansaço de sorrir quando não se quer sorrir...
Cansaço de fraquejar quando se tem que ser forte...
Cansaço de chorar quando tudo pede para sorrir...

acordar, de manhã e não saber o caminho que se quer seguir, saber que o coração pede uma coisa que a razão não nos permite viver...
levantar da cama, e fazer tudo, mecanicamente, obedecendo cegamente à rotina que a razão nos traçou...
passar o dia a fazer aquilo que uma sociedade a passar por uma crise de valores definiu como correcto e aceitável...
não cometer loucuras... e pouco fazer daquilo que realmente se quer fazer...
deitar na cama e pensar em tudo o que foi mais um dia de pesado cansaço...
dormir... e passar momentos agradáveis apenas entre nós... entre o eu adormecido e o eu insconsciente...

e acordar novamente... para mais um dia de produção mecânica sem que a fábrica possa avariar...

demasiado passivos? (pensamos... )
talvez muito conformados? (sentimos...)
cobardes? inseguros? fracos? loucos?

talvez apenas demasiado realistas e observadores... talvez muito conscientes do mundo e da vida... talvez demasiado "videntes" do futuro...

cansados, acima de tudo...
desesperados por uma cura para o cansaço... conhecendo perfeitamente os medicamentos, mas sem força nem motivação para os usar...

por outro lado... demasiado conhecedores do que queremos, demasiado conscientes do que nos faz bem, demasiado psicólogos de nós próprios, demasiado!...
e muito ansiosos, incrivelmente ansiosos por viver momentos que nos fazem bem, por conseguir esses momentos... a que damos tanto valor e que mais cansados nos fazem ficar... porque quanto mais os valorizamos, mais desvalorizamos tudo o resto...

extremos, opostos, separados por um longo caminho, que cada vez se torna maior, aumentando também o esforço que temos que fazer por nos equilibrar...
fazendo acumular cada vez mais o cansaço...
esse cansaço tremendo de viver, não, de morrer!
de morrer em cada rotina, em cada levantar mecânico, em cada dia vivido por viver...

O que há em mim é sobretudo cansaço Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis, As paixões violentas por coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto alguém. Essas coisas todas - Essas e o que faz falta nelas eternamente -; Tudo isso faz um cansaço, Este cansaço, Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada - Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser...
E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, Para eles o sonho sonhado ou vivido, Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... Para mim só um grande, um profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, Um supremíssimo cansaço. Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço...
Álvaro de Campos